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Dificuldades de aprendizagem: saiba como lidar com o assunto


O termo 'dificuldade de aprendizagem' começou a ser usado na década de 60 e até hoje - na maioria das vezes - é confundido por pais e professores como uma simples desatenção em sala de aula ou 'espírito bagunceiro' das crianças. Mas a dificuldade de aprendizagem refere-se a um distúrbio, que pode ser gerado por uma série de problemas cognitivos ou emocionais.

Segundo a psicopedagoga Nádia Bossa, as dificuldades de aprendizagem podem estar associadas a todas as áreas da vida, não só às aprendizagens acadêmicas ou escolares. “Dificuldades de Aprendizagem são qualquer conjunto de características do sujeito que quando aparecem juntas prejudicam a aquisição de uma competência. Por exemplo, uma criança que se encontra na fase de alfabetização e que apresenta dificuldades na orientação espacial, dificuldade perceptomotora e na memória visual. Este conjunto de déficits irá se constituir num obstáculo à aquisição da competência para a escrita”, explica.

Na maioria dos casos, o professor é o primeiro a identificar que a criança está com alguma dificuldade, mas a família deve ficar atenta ao desenvolvimento e ao comportamento da criança. Segundo especialistas, as crianças podem apresentar desde cedo um maior atraso no desenvolvimento da fala e dos movimentos do que o considerado “normal”. Vários famosos aprenderam a contornar as suas dificuldades de aprendizagem. Pablo Picasso era disléxico. Assim como Tom Cruise, Thomas Edison e Whoopi Goldberg.

Uma característica comum a todos, em qualquer idade, são os problemas de comunicação devido a:
  • Dificuldades cognitivas e das funções cerebrais.
  • Problemas de audição e compreensão;
  • Problemas de linguagem, discurso e fonologia;
  • Problemas de interação social;
  • Por vezes, isolamento social e institucionalização prévia.

Distúrbios Orgânicos

Nádia Bossa acrescenta que os distúrbios orgânicos que mais frequentemente prejudicam a aprendizagem escolar são os relacionados ao funcionamento do sistema nervoso central (SNC). Exemplos? Hiperatividade, déficit de atenção e aqueles ligados ao humor, como transtorno de ansiedade e transtorno bipolar. “Hoje em dia eles têm sido bastante frequentes entre crianças e adolescentes. Ambos os casos (funcionamento do SNC e alterações químicas do cérebro que resultam em transtornos do humor) se constituem obstáculos à aprendizagem comprometendo a escrita, o raciocínio matemático e outras habilidades”, explica a psicopedagoga.

Há também casos específicos de um funcionamento cerebral não favorecer o desempenho de uma determinada tarefa, como é o caso da dislexia. “Na dislexia temos um conjunto de características que resultam do modo de funcionar do cérebro e que são prejudiciais à compreensão e à realização da leitura e escrita, requerendo uma condução bastante complexa do processo de ensinar. Nesta situação do portador de dislexia, o estilo de aprendizagem é bastante particular, de forma que a intervenção deve ser planejada com base numa análise cuidadosa acerca do modo de operar daquela mente em especial”, avalia Nadia.


Confira abaixo as principais dificuldades de aprendizagem entre os jovens:


TDA/H – Desatenção, inquietude e impulsividade são características do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDA/H), de caráter neurobiológico e de possíveis causas genéticas. É também chamado de DDA, Distúrbio do Déficit de Atenção, e dificulta o aprendizado do aluno. A criança hiperativa não consegue se concentrar em um só estímulo, tem dificuldades em esperar, fala sem pensar e fala ao mesmo tempo que outras pessoas. O tratamento é feito tanto com medicamentos quanto com orientações aos pais, aos professores e ao próprio aluno. O TDA pode ser acompanhado de hiperatividade ou não.

DISLEXIA –
É uma disfunção neurológica que faz com que o aluno troque letras, palavras ou linhas, causando lentidão na leitura e dificuldade de aprendizagem. Estuda-se que seja uma disfunção hereditária e pode aparecer em diferentes graus.

DISCALCULIA – É uma dificuldade específica em relação à Matemática, que pode se apresentar em diferentes níveis, podendo aparecer ainda na Educação Básica, com troca dos sinais das quatro operações, assim como futuros problemas com percepções de sequências lógicas.

DISLALIA – São os problemas de fala, em que o aluno troca letras, além de trocar ou adicionar fonemas e sílabas às palavras. A dislalia costuma aparecer durante a primeira infância, quando a criança aprende a falar e pode, inclusive, interferir na escrita. As causas podem ser emocionais ou físicas, no caso de problemas no palato ou lábio leporino. O tratamento é feito com ajuda de um fonoaudiólogo.